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Eu consumo, nós consumimos

ECOA

01/12/2019 04h00

Moramos em quatro aqui em casa. Outro dia choveu o dia todo e decidimos pedir comida. Coisa que, com exceção da pizza do domingo, raramente acontece. 

Você já parou pra pensar na quantidade e volume de embalagens que consumimos diariamente? E que nessas horas elas só servem pra trazer o alimento até você na sua casa ou no seu trabalho? Duram segundos na nossa mão e anos sendo lixo. Ontem fiquei desesperada vendo todos os potinhos, sacolas, durex e plastiquinhos que trouxeram nossa comida e tiveram esse destino.  

Vivemos num mundo do consumo e nele muita coisa vem embalada… Preferia que tudo que é reciclável fosse realmente reciclado nessa vida e que não precisasse pensar sobre esse ciclo quando compro coisas. Mas, como a vida ainda não é assim, e muito pouco do que é reciclável realmente é reciclado, procuro comprar coisas menos nocivas para o mundo. Conto aqui algumas das minhas guias mentais para as constantes e inevitáveis investidas de consumo, que podem servir pra você também. 

De maneira geral, acho que a pergunta "eu preciso?" é sempre válida, porque o reduzir deve vir antes de outros "Rs" (reuse e recicle). Então, pode ser barato, pode parcelar num montão de vezes, pode ser Black Friday… Mas se você não precisa daquele produto, não compre. Não é obrigado a comprar por conta desses facilitadores todos.

Além dessa pergunta constante, que vale para tudo, os outros "Rs" também são diretrizes bem boas de se ter em mente: reuse ou recicle são muito melhores do que "descarte". Tem alguns outros pensamentos que não dão conta desse assunto, mas que servem como diretrizes para nossas escolhas. São eles:

  • Pense um pouquinho sobre a vida útil do que você compra: já que comprou, que seja algo que tenha uma vida útil digna do material empregado e do futuro lixo que será gerado. Se for para comprar algo que você vai usar uma vez e depois ficar largado ali no canto sem ninguém usar, evite.
  • Se der pra consertar, conserte: pode ser que o valor não valha exatamente a pena mas, às vezes, o novo modelo que você compraria também não teria assim tantos avanços quanto te prometem… Vale olhar direitinho além dos atrativos todos que te vendem, se no fim você não vai trocar agora, pra ter que trocar logo em seguida de novo.
  •  Prefira sempre produtos que tem pouca ou nenhuma embalagem: produtos a granel é o exemplo do melhor que pode ser, pois dispensam embalagens descartáveis; biscoitos embalados a cada 2, dentro de um plástico ou dentro de uma caixa são o exemplo do pior que pode ser. Aí você pode me dizer que é porque carrega na bolsa, para o trabalho e que é mais prático. E eu te respondo que também carrego as coisas que compro a granel em mini tupperware charmosíssimos na minha bolsa.
  •  Água não nasce em garrafa: hoje que sustentabilidade está na moda e tem um muitas opções de garrafinhas reutilizáveis lindinhas ou copinhos portáteis de cores fantásticas por aí. É só escolher o que te apetece mais e deixar ele ali na mochila/bolsa e evitar muitas garrafinhas ou copinhos de plástico que depois ficam lá na foto, do lado da tartaruga na praia.
  •  Evite descartáveis. Se eles forem inevitáveis e der pra reutilizar, reutilize: qualquer número de usos de um material é melhor do que o uso único! Nessa linha, alimentos delivery (como o que eu pedi no dia de chuva) são inimigos mortais! Porém, ainda assim, dá pra reutilizar como tupperware a embalagem do molhinho ou sacola de mercado.
  • Prefira embalagens de materiais recicláveis: materiais recicláveis, de maneira geral, são: papel, vidro, plástico. Isopor não é reciclável e materiais justapostos, como as garrafas de leite da coluna, também não.
  • Entre embalagens de plástico ou vidro, prefira vidro: pense nelas como reutilizáveis (ó o vidrinho para levar as bolachas!), mas se não der pra reutilizar, ele ainda é um material melhor do que o plástico porque, no fim da sua vida, ele vira areia. O plástico é plástico para sempre, tá?

De maneira geral, esses pensamentos todos são sobre me responsabilizar sobre o que compro. Me sinto responsável pela compra e pelo eventual lixo que gero, então procuro fazer isso de maneira consciente, mesmo que nem sempre consiga fazer as melhores escolhas (como no domingo chuvoso). No mundo ideal, essa responsabilidade deveria ser compartilhada entre nós, indústria e poder público, como está na lei de resíduos sólidos de SP, mas que vemos muito pouco na prática. Então, como a vida ainda não é assim, sigo fazendo minha parte, porque eu ainda sou otimista (mesmo que esteja um tanto difícil mantê-lo ultimamente) e acho que um dia chegaremos lá.

Sobre a Autora

Lia Assumpção é designer, mestre em Arquitetura e Design pela FAU-USP, curiosa dos assuntos relacionados a consumo e sustentabilidade.

Sobre o Blog

Este blog é sobre consumo consciente porque nem tudo que é reciclável é reciclado. É escrito por uma designer, inquieta com a maneira como consumimos e descartamos coisas e crédula de que só uma iniciativa compartilhada entre indústria, poder público e consumidores conscientes pode alterar a lógica consumo-descarte vigente. A ideia aqui é falar sobre atitudes cotidianas, tentando um meio a meio entre reflexões e soluções práticas.

Lia Assumpção